Pacientes com fibromialgia no Vale do Juruá denunciam falta de especialistas, medicamentos e transporte para tratamento

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Portadores de fibromialgia no Vale do Juruá relatam enfrentar uma série de dificuldades no acesso ao tratamento da doença, que vão desde a ausência de médicos especialistas até a negativa de medicamentos de alto custo e obstáculos no transporte para consultas fora da região. Diante da situação, a Associação dos Fibromiálgicos do Vale do Juruá (AFVAJ) buscou apoio da Defensoria Pública para garantir o direito constitucional à saúde.

Segundo a presidente da associação, Vângela Souza, a principal reivindicação do grupo é a presença de um médico reumatologista ou especialista capaz de diagnosticar e acompanhar os pacientes na região. Ela lembra que, após uma audiência pública realizada em agosto de 2025, houve o encaminhamento de um profissional para atender no recém-inaugurado ambulatório da dor, em Cruzeiro do Sul, mas o serviço funcionou apenas uma vez.

Após esse único atendimento, o ambulatório foi fechado e, desde então, não houve retorno de novos profissionais. De acordo com Vângela, além da falta de médicos, os pacientes também estão sem acesso regular aos medicamentos necessários, o que agrava os sintomas e compromete a rotina diária.

A presidente alerta para as consequências da doença sem tratamento adequado. Segundo ela, a fibromialgia pode causar incapacidade severa e, em casos extremos, levar ao suicídio. A associação afirma ter conhecimento de ao menos quatro relatos de suicídio relacionados à dor crônica e à falta de assistência.

Atualmente, a AFVAJ conta com cerca de 70 associados, mas a estimativa é que o número de pessoas com fibromialgia no Vale do Juruá ultrapasse dois mil. A ausência de laudos médicos também dificulta o acesso a benefícios, licenças de trabalho e políticas públicas, já que muitos pacientes não conseguem comprovar a condição.

Além da carência de especialistas, o fornecimento de medicamentos é outro entrave. A paciente Maria Raimunda Silva, que convive com fibromialgia e doença de Crohn, relata que precisa de um medicamento cujo custo chega a 45 mil reais, mas não conseguiu a liberação no Centro de Medicamentos.

Outra dificuldade enfrentada pelos pacientes é o deslocamento para tratamento na capital. Francineide Negreiros, de 54 anos, possui problemas graves na coluna e não suporta viagens longas de ônibus. Ela solicitou transporte aéreo por meio do Tratamento Fora de Domicílio (TFD), mas teve o pedido negado, o que resultou no cancelamento da consulta médica.

Diante das denúncias, a Defensoria Pública foi acionada para acompanhar o caso. A defensora pública Cláudia Aguirre explicou que o objetivo inicial é buscar soluções administrativas e extrajudiciais, com base nas leis federais que garantem atendimento multidisciplinar aos pacientes com fibromialgia, como a Lei nº 14.705, que estabelece a responsabilidade compartilhada entre município e estado.

Segundo a defensora, caso não haja avanços por meio do diálogo institucional, medidas judiciais poderão ser adotadas para assegurar o cumprimento da legislação e o acesso ao tratamento adequado.

O caso segue sob análise da Defensoria Pública, que deve solicitar informações oficiais às secretarias de saúde nos próximos dias. Até o fechamento desta matéria, não foi possível contato com representantes da saúde estadual em Cruzeiro do Sul.

Redação Juruá Online

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