Produção de café no Acre cresce mais de 115% e consolida o estado como referência na Região Norte

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A produção de café no Acre apresentou um salto expressivo no fim de 2025 e reforçou a consolidação da cultura como uma das principais forças do agronegócio estadual. Dados do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontam que o volume produzido em dezembro cresceu 115,4%, passando de 3.079 para 6.632 toneladas.

O avanço é resultado de uma combinação de fatores, entre eles o aumento de áreas plantadas, a melhoria no manejo das lavouras e investimentos públicos voltados ao fortalecimento da cadeia produtiva. Hoje, o Acre ocupa a posição de segundo maior produtor de café da Região Norte, com destaque para o robusta amazônico, que tem ganhado reconhecimento nacional pela qualidade e sustentabilidade.

Cadeia do café ganha força no interior e no Juruá

O crescimento da produção se reflete especialmente no interior do estado, incluindo municípios do Vale do Juruá, como Mâncio Lima, que em 2025 passou a abrigar o maior complexo industrial da agricultura familiar da Região Norte. O empreendimento recebeu investimento de aproximadamente R$ 10 milhões e fortalece o processamento e a agregação de valor ao café produzido localmente.

Segundo a Secretaria de Estado de Agricultura (Seagri), as ações governamentais alcançam todas as etapas da cadeia, desde a produção de mudas até a comercialização, com capacitações técnicas, apoio ao fomento, incentivo à participação em feiras e concursos, além da abertura de mercados.

Valor da produção supera a soja

O impacto econômico do café no Acre também chama atenção. O Valor Bruto da Produção (VBP) da cultura chegou a R$ 139,6 milhões, representando um crescimento de 428% entre 2018 e 2025. Com esse desempenho, o café superou a soja, que encerrou 2025 com VBP de R$ 123 milhões.

A Seagri avalia que o fortalecimento da cafeicultura tem reflexos diretos na geração de renda, especialmente entre as cerca de 45 mil famílias que dependem da agricultura familiar no estado.

Investimentos, incentivos e beneficiamento

Para sustentar o ritmo de crescimento, o governo estadual informou que pretende ampliar os investimentos em capacitação e buscar recursos para o beneficiamento do café em oito unidades da Cageacre. Também está em andamento um estudo para a identificação geográfica do café acreano, iniciativa que pode elevar ainda mais o valor do produto no mercado.

O setor conta ainda com uma série de incentivos fiscais e tributários, como isenção de insumos, redução de impostos para equipamentos agrícolas e benefícios específicos para a indústria cafeeira, incluindo programas que permitem abatimento significativo do ICMS. O café produzido no Acre também integra a cesta básica estadual, o que garante tributação menor em comparação ao produto vindo de outros estados.

Sustentabilidade e projeções

Além do crescimento econômico, a expansão da cafeicultura no Acre está associada a práticas sustentáveis. A produção avança em áreas que preservam cerca de 84% da floresta, com adoção de sistemas agroflorestais, agroecologia e geração de empregos verdes.

As projeções da Seagri para os próximos dez anos indicam avanços sociais e econômicos, com potencial de o VBP anual do café alcançar R$ 532 milhões, mantendo grande parte da renda circulando dentro do próprio estado.

Com resultados cada vez mais expressivos, o café deixa de ser uma cultura alternativa e se firma como um dos pilares do desenvolvimento econômico, social e ambiental do Acre — com reflexos diretos também no Vale do Juruá, onde produção, indústria e sustentabilidade caminham juntas.

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