Saneacre adota taxa mínima de água em Cruzeiro do Sul e cria tarifa social a partir de janeiro

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O Serviço de Água e Esgoto do Acre (Saneacre) em Cruzeiro do Sul passou a adotar, a partir do mês de janeiro, um novo modelo de cobrança com a implantação de taxas mínimas de consumo, medida que busca facilitar o pagamento por parte da população, reduzir a inadimplência e viabilizar investimentos no sistema de abastecimento de água.

Saneacre- CZS

De acordo com o gestor do Saneacre no município, Brás Pedrosa, a mudança foi definida após diálogo com a diretoria e a presidência da autarquia, em Rio Branco. Antes, a cobrança era feita exclusivamente por hidrometração, o que resultava em contas elevadas para alguns usuários, chegando a valores entre R$ 250 e R$ 300. Com a nova regra, esses valores deixam de existir para quem se enquadra na taxa mínima.

Para o setor residencial, foi estabelecida uma taxa mínima de R$ 38,40. Já para o setor comercial, incluindo empresas e estabelecimentos em geral, o valor fixado é de R$ 77,00. Também foi criada uma tarifa social, no valor de R$ 12,80, destinada a usuários de baixa renda que comprovem vínculo com programas sociais, como o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC).

Segundo o gestor, a iniciativa coloca o Acre entre os estados com uma das menores tarifas de água do país e reforça o entendimento de que o saneamento básico é uma responsabilidade coletiva. Enquanto o poder público tem o dever de garantir água de qualidade, a população também precisa contribuir, evitando o desperdício e mantendo o pagamento em dia.

Dados apresentados pelo Saneacre mostram que a inadimplência ainda é elevada. Embora o faturamento mensal gire em torno de R$ 600 mil, apenas cerca de 30% desse valor é efetivamente arrecadado, o que resulta em aproximadamente R$ 130 mil, montante insuficiente para cobrir os custos operacionais. Somente com energia elétrica, o Saneacre tem uma despesa mensal estimada em R$ 480 mil, considerando mais de 100 poços artesianos espalhados pela cidade e a captação no Igarapé São Salvador.

O gestor reforça que o objetivo não é penalizar a população, mas estimular a regularização das contas. Débitos antigos poderão ser renegociados e parcelados, com a proposta de que, a partir de agora, os usuários passem a pagar pelo menos a taxa mínima mensal. Ele também destacou que, atualmente, não há autorização para cortes imediatos no fornecimento por inadimplência, especialmente em casos que envolvem pessoas em situação de vulnerabilidade.

Além da questão financeira, o Saneacre chama atenção para o alto índice de desperdício de água em diversos bairros do município. A orientação é para que a própria população atue como fiscal, evitando torneiras abertas, vazamentos e uso inadequado da rede, práticas que comprometem o abastecimento em outras áreas da cidade.

O sistema de abastecimento de Cruzeiro do Sul é considerado antigo, com estruturas que datam da década de 1970, o que aumenta a necessidade de investimentos em manutenção e modernização. Segundo o Saneacre, sem arrecadação suficiente, torna-se inviável ampliar a rede, reduzir falhas e garantir maior regularidade no fornecimento.

Durante o período de cheia dos rios, o Saneacre informou que permanece em alerta e à disposição dos órgãos de segurança e defesa civil. A autarquia já disponibilizou dois caminhões-pipa e estrutura necessária para atendimento emergencial, caso haja famílias afetadas por alagamentos. Até o momento, não há registro de desabrigados ou desalojados no município.

A direção do Saneacre reforça que investir em saneamento básico significa promover saúde, desenvolvimento econômico e qualidade de vida, destacando que cada real aplicado na área representa economia significativa em gastos com saúde pública.

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