O nível do rio Juruá voltou a ultrapassar a cota de alerta em Cruzeiro do Sul, atingindo 11,96 metros, 16 centímetros acima do limite de 11,80 metros, marcando a segunda vez em 2026 que o manancial entra em estado de atenção. O cenário contrasta com anos anteriores e reforça a preocupação das autoridades diante da previsão de chuvas acima da média para os próximos meses no Vale do Juruá.

Segundo o comandante do Corpo de Bombeiros, Josadac Cavalcante, a elevação recente do nível do rio está diretamente ligada às chuvas intensas e persistentes registradas ao longo da última semana na bacia do Giruá e em outros afluentes importantes.
- “Durante toda a semana, na bacia do Juruá, tivemos chuvas intensas e duradouras. Isso faz com que os afluentes ganhem uma quantidade significativa de água e, consequentemente, o rio Juruá apresentem essa elevação desde Marechal Thaumaturgo até Cruzeiro do Sul”, explicou o comandante.
De acordo com Cavalcante, os prognósticos meteorológicos do Sipam indicam que o trimestre iniciado em dezembro do ano passado e que segue por janeiro, fevereiro e março de 2026 deve registrar volumes de chuva acima da média, influenciados pela Zona de Convergência do Atlântico Sul, fenômeno que transporta grandes massas de nuvens carregadas para a Região Norte.
- “A tendência é de chuva acima da média nesse período, o que exige um aumento no monitoramento de toda a calha do rio Juruá e de seus principais afluentes”, afirmou.
Apesar da elevação no trecho urbano, o comandante destacou que o rio Juruá já apresenta vazante em pontos mais altos da bacia, como na região da Foz do Breu, na fronteira com o Peru, onde o nível baixou mais de um metro nos últimos dias.
- “Se não houver chuvas significativas nesta semana, essa vazante deve chegar a Cruzeiro do Sul em três ou quatro dias. No entanto, as previsões até o dia 20 ainda indicam chuvas que podem variar entre 25 e 75 milímetros na bacia do Juruá, o que pode voltar a influenciar o nível do rio, dependendo da concentração”, alertou.
Comparação com anos anteriores
O comportamento do rio em 2026 chama atenção quando comparado a anos anteriores. Segundo Cavalcante, neste mesmo período do ano passado, o cenário era diferente, mesmo com um verão atipicamente chuvoso.

- “Neste ano, já estamos com o rio acima da cota de alerta logo em janeiro, algo bem diferente do que observamos no ano passado. Como o solo já está saturado por chuvas anteriores, ele não consegue absorver toda a água, fazendo com que o nível do rio suba de forma mais rápida e abrupta”, explicou.
Levantamentos históricos realizados pelo Corpo de Bombeiros apontam que, nos últimos 30 anos, cerca de 50% das inundações em Cruzeiro do Sul ocorreram entre o final de fevereiro e o início de março, período considerado o mais crítico. Ainda assim, há registros de transbordamentos em abril, o que amplia o período de atenção.
Os dados mostram que fevereiro é o mês com maior número de ocorrências, seguido por março. Janeiro apresenta menor incidência histórica, enquanto abril registra redução gradual, embora ainda com eventos relevantes.
Equipes em prontidão
Diante do cenário, o comandante reforçou que as equipes do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil Municipal já estão em estado de prontidão, com embarcações e estrutura preparadas para uma eventual necessidade de retirada de famílias em áreas de risco.
- “Estamos fortalecendo o monitoramento e deixando as equipes prontas para dar uma resposta rápida, caso o rio atinja a cota de transbordamento e afete as famílias ribeirinhas, evitando maiores danos e prejuízos”, concluiu Cavalcante.
A orientação das autoridades é para que a população acompanhe os boletins oficiais e fique atenta às atualizações sobre o comportamento do rio nos próximos dias.





