Como o sucesso de João Fonseca e tenistas brasileiros impulsiona formação de atletas no país

spot_img
  • Thiago D’Amaral

12 de jan, 2026, 08:03

Uma das principais promessas do tênis mundial, João Fonseca tem levado o Brasil novamente aos holofotes da modalidade e sendo inspiração para muitos jovens. Sem disputar os ATPs 250 de Brisbane e Adelaide, o brasileiro se prepara para a estreia no Australian Open, cuja chave principal começa no próximo sábado (17). Muito antes de disputar grand slams, porém, ele dava seus primeiros passos em torneios juvenis no Rio de Janeiro.

Uma dessas competições foi organizada pela Liga Tênis 10, projeto existente há dez anos que busca dar a jovens tenistas a experiência competitiva em quadra.

“O João, quando ele era pequeno, em 2016, jogou o primeiro torneio quando ele tinha dez anos, no Rio. Depois, em 2017, ele jogou mais um. A Luisa (Stefani) a gente já apoia desde 2021. A mãe do Andy Murray é uma das minhas mentoras”, contou Bruna Assemany, coordenadora e uma das idealizadoras do projeto em entrevista ao ESPN.com.br.

Com o sucesso de nomes como João e Luisa, que é uma das principais apoiadoras da Liga, muitas crianças tem se interessado cada vez mais pelo esporte – e isso vem se refletindo no projeto comandado por Bruna.

“A Liga tem tido um crescimento bem impressionante ano a ano. Mais pessoas entendendo essa visão competitiva, mais treinadores entendendo que quanto mais motivado os seus alunos estiverem, mais competitivos eles vão ser”, disse.

“É muito importante essa referência próxima e é uma coisa que faz muita diferença. Eu me lembro que tentei jogar tênis profissional, mas passei muito longe. E pensava assim: ‘Poxa, quero ser o Guga’. É legal ver as crianças falando que querem ter o fore-hand do João, o voleio da Luísa e treinarem especificamente e se sentirem próximos. ‘Poxa, estou fazendo um caminho que essas pessoas já fizeram’. Então é muito legal em termos de deixar mais próximo”, seguiu.

“Quando coordenei a Tennis Route, e na época treinaram a Bia (Haddad) e o Belucci, o Thiago Monteiro e o Thiago Wild estava lá também se formando, você via que as crianças passavam e era normal: ‘Oi, Bia! Oi, Thiago!’ Então assim, é muito legal ter essa proximidade, porque não é uma coisa tão distante”, completou.

Dentro da Liga Tênis 10, Bruna também vê um potencial crescente de tenistas brasileiros. “Se fala muito de Naná (Silva), Guto (Miguel), mas ao mesmo tempo também tem uma nova geração de crianças de sete ou oito anos que estão vivendo aí. Por conta dessa proximidade (de outros tenistas) e dessas possibilidades de novos torneios, novos treinadores cada vez mais assertivos nesse processo de desenvolver novos jogadores e novas pessoas”.

Como era o João Fonseca nos torneios da Liga Tênis 10?

Hoje apontado por grandes astros como o futuro do tênis mundial, Fonseca ‘sofreu’ em seus primeiros passos no torneio, sem conseguir conquistar as taças que disputou. Mesmo assim, sua qualidade já estava presente em quadra.

“Ele sempre foi um jogador muito querido com os amigos. Tem essa personalidade gentil. Hoje muitas pessoas acompanham. E principalmente já tinha o jogo bem rápido. Então você via que ele tinha um fore-hand agressivo, mas ele estava em processo de formação”, afirmou Bruna.

“Ele não era o que ele é hoje, mas ele sempre teve as características que o levaram a ser como ele está hoje. Ele fez parte de um processo incrível com os treinadores, e a gente só foi uma ferramenta para que ele pudesse colocar em prática as coisas que ele estava fazendo no seu dia a dia de forma competitiva. Esse também é um dos objetivos da Liga”, acrescentou.

Agora, Bruna e aqueles que o viram crescer torcem para seu sucesso também entre os profissionais. “Acredito que o dia a dia dele é de um cara muito humilde que entende a responsabilidade do caminho que ele tem agora”.

“Ele já deu entrevistas falando que esse ano é importante para ele, porque ele tem que defender o que ele construiu em 2025. Eu acho que ele é um cara muito maduro e espero que ele vá ao maior lugar que ele possa conseguir. A gente que vê uma família tão incrível de perto, a gente torce para que ele possa chegar nas cabeças”, finalizou.

spot_img

Notícias relacionadas:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS