
Redação Juruá Online
Aos 21 anos, o cruzeirense Paulo Victor é hoje um dos principais nomes do MMA e do boxe no Acre. Com apenas uma derrota em 17 lutas de MMA e três vitórias no boxe, o jovem atleta já acumula títulos importantes, entre eles o cinturão do Martial Arts Championship (MAC), conquistado em janeiro no Rio de Janeiro após dois meses de disputas.
Em alta na carreira, Paulo Victor também se destacou no maior evento da América Latina, onde venceu duas lutas por nocaute em tempo recorde. “Eu fiz duas lutas agora no maior evento da América Latina e me consagrei campeão nas duas por nocaute. Inclusive foram nocautes muito rápidos e brutais. Como eu gosto de dizer, sou bastante agressivo, sempre vou pra frente, busco a finalização e o nocaute. Nessas duas lutas não foi diferente: consegui encerrar muito rápido com nocaute”, afirmou.
Do projeto social às grandes arenas
A trajetória do lutador começou aos 12 anos, em um projeto social em Cruzeiro do Sul, onde encontrou nas artes marciais a oportunidade de transformar sua vida. “Comecei no projeto quando tinha 12 anos. O Márcio foi nas escolas perguntar quem queria participar das aulas de luta e eu me interessei. Eu até costumo dizer que é engraçado, porque na época eu era cria da periferia, a gente passava necessidade, e ele falou que lá tinha corte de cabelo e café da manhã. Então pensei: vou por isso mesmo, pra cortar o cabelo e comer. Mas acabei me apaixonando pelo esporte”, relembra.
Aos 15 anos, ele disputou sua primeira luta de boxe em Santos, já com vitória. Desde então, seguiu acumulando experiência e resultados expressivos, que o levaram a treinar no Rio de Janeiro e a sonhar com um contrato no UFC, onde já está de reserva em sua categoria, o peso-mosca.

Reconhecimento e dificuldades
Apesar das conquistas, Paulo Victor enfrenta desafios para se manter no esporte. Hoje, ele conta apenas com o apoio de dois patrocinadores fixos – BillCar Auto Center e W2 Magazine – além da dedicação de seu treinador Everton Enes, conhecido como “Jacaré”.
Jacaré, que acompanhou o atleta desde os primeiros passos no projeto social, lembra da determinação do aluno:
“Ele chegava cedo, saía tarde e nunca faltava. Logo percebi que tinha algo a mais. Sempre busquei dar mais atenção nos treinos porque ele queria muito. Esse esforço o levou para onde está hoje”, contou o treinador.
O técnico também destacou a ausência de apoio do poder público:
“Infelizmente, ele nunca teve incentivo do município ou do estado. Políticos aparecem para tirar fotos, mas na hora de ajudar, não existe apoio. Mesmo assim, com força de vontade e alguns parceiros fiéis, conseguimos mantê-lo firme”, afirmou.
Próximos desafios
Enquanto aguarda a chance de estrear no UFC, Paulo Victor já se prepara para lutar em dezembro, no Shooto Brasil, caso o contrato com a organização internacional não se concretize até lá.
Com uma mensagem voltada à juventude, o atleta reforça a importância do esporte como alternativa de vida:
“Assim como eu consegui sair da periferia e mudar minha história, outros também podem. A arte marcial ajuda a canalizar a raiva e pode transformar crianças e jovens em campeões na vida.”






