O Acre registrou cerca de 22 mil pessoas em situação de desalento no segundo trimestre de 2025, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número corresponde a aproximadamente 3% da população economicamente ativa do estado e revela o impacto da baixa oferta de emprego sobre os trabalhadores.

Os desalentados são aqueles que, após sucessivas tentativas frustradas de conseguir trabalho, desistem de procurar uma vaga. Enquanto estão em busca, são contabilizados como desempregados. A partir do momento em que interrompem a procura, passam a ser incluídos nessa categoria.
A pesquisa mostra que o problema ocorre em um contexto de desaceleração da economia nacional. No primeiro trimestre, o crescimento do PIB havia sido de 1,3%. Já entre abril e junho, a expansão foi de apenas 0,5%.
Reflexo da pandemia e da estagnação econômica
Para o economista Carlos Franco, a situação tem origem nos efeitos da pandemia de Covid-19, quando milhares de trabalhadores perderam seus empregos. “Mesmo com o fim das restrições sanitárias, grande parte dessas pessoas ainda não conseguiu se recolocar no mercado de trabalho. O desalento é justamente a perda da esperança em conseguir uma vaga”, explica.
Ações de capacitação no estado
Além de intermediar vagas junto a empresas, o Sistema Nacional de Empregos (Sine) tem apostado na capacitação profissional como estratégia para reduzir o número de desalentados.
De acordo com Jaqueline Castro, servidora do órgão, dois polos digitais em Rio Branco — nos bairros Sobral e São Francisco — oferecem cursos presenciais de informática e outras áreas. O Sine também disponibiliza três plataformas de qualificação online: o Instituto Êxito, a Plataforma 4.0 do governo federal e o Polo Digital.
- “Temos cursos para iniciantes, inclusive para quem nunca ligou um computador. Além dos polos presenciais, o trabalhador pode acessar os conteúdos de forma remota”, destacou Jaqueline.
As iniciativas buscam preparar a mão de obra acreana e abrir novas oportunidades para aqueles que hoje não encontram espaço no mercado.






