O governo federal reconheceu oficialmente a situação de emergência em 21 municípios do Acre atingidos pela seca severa, incluindo Cruzeiro do Sul. A Portaria nº 2.521, publicada no Diário Oficial da União nesta segunda-feira, 18, possibilita o envio de recursos federais para reforçar as ações emergenciais já em andamento no estado.

Foto: Anny Barbosa
Em Cruzeiro do Sul, segundo maior município acreano, a estiagem tem agravado os problemas de abastecimento de água potável, dificultado a navegação nos rios — principal meio de transporte para comunidades isoladas — e aumentado os riscos à saúde da população devido às queimadas e à má qualidade do ar. A cidade, que depende fortemente da logística fluvial, enfrenta sérios desafios no transporte de alimentos, medicamentos e combustíveis, o que tem elevado a preocupação das autoridades locais.
Medidas já em execução no Acre
Desde os primeiros sinais da estiagem, a Secretaria de Estado de Saúde colocou em prática o Plano Estadual de Contingência em Saúde para Seca, Estiagem, Escassez Hídrica e Queimadas. O documento prevê o abastecimento emergencial de água em comunidades vulneráveis, reforço das unidades de saúde com insumos e profissionais e intensificação da vigilância epidemiológica, especialmente para prevenir doenças respiratórias causadas pela fumaça e surtos de doenças de transmissão hídrica.
O Decreto Estadual nº 11.733, publicado no último dia 7, já havia declarado situação de emergência em todo o Acre. O texto destacou que a seca prolongada comprometeu o abastecimento de água, reduziu a navegabilidade dos rios e agravou a insegurança alimentar em diversas cidades, incluindo Cruzeiro do Sul, onde comunidades ribeirinhas são diretamente impactadas.
Reconhecimento reforça ações locais
O secretário de Estado de Saúde, Pedro Pascoal, afirmou que o apoio federal permitirá ampliar as medidas já em curso. Ele ressaltou que o fornecimento de água potável, o monitoramento da qualidade do ar e o reforço no atendimento das unidades de saúde têm sido prioridades, especialmente em cidades como Cruzeiro do Sul, que registram aumento de casos de síndromes respiratórias.
A chefe do Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (CIEVS), Débora dos Santos, acrescentou que o monitoramento contínuo é essencial para orientar gestores municipais. Em Cruzeiro do Sul, equipes técnicas acompanham de perto a situação para garantir respostas rápidas diante de qualquer agravamento.
Além de Cruzeiro do Sul, outros municípios acreanos como Mâncio Lima, Rodrigues Alves, Porto Walter, Tarauacá e Feijó também estão entre os mais afetados pela seca prolongada, que deve manter impactos severos pelos próximos meses.






