Redação Juruá Online
Na manhã desta segunda-feira (10), o Rio Juruá, nos arredores de Cruzeiro do Sul, alcançou a marca de 13,30 metros, atingindo cerca de 10 bairros da cidade. Apesar do avanço das águas, nenhuma família precisou ser retirada até o momento, conforme informado pela Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil (COMPDEC).
De acordo com José Lima, coordenador da Defesa Civil, a situação está sob monitoramento. “Com essa marca, a água já começa a entrar nas residências. No entanto, estamos mais tranquilos porque o Porto Walter já está vazando, e há possibilidade de estabilização ou até de uma pequena vazante, caso não haja chuvas significativas nas próximas horas”, explicou.
A Defesa Civil alerta que, além da invasão das águas nas casas, há riscos de acidentes envolvendo crianças e animais peçonhentos. “Nessa época do ano, é comum que cobras e aranhas busquem abrigo dentro das residências. As famílias precisam estar atentas para evitar acidentes”, reforçou Lima.
Os Desafios de Quem Vive na Área Alagada
Maria Helena Lima, moradora do bairro da Várzea há cinco anos, relata as dificuldades enfrentadas com as enchentes. “Todos os anos é a mesma promessa de que vão tirar a gente daqui, construir moradias melhores, mas nada muda. A gente mora com sapos, ratos, e quando a água sobe, perdemos tudo. O mais difícil é ter que ir para o abrigo e depois voltar para casa para recomeçar do zero”, desabafa.
Maria Helena também destaca os prejuízos materiais sofridos pelos moradores. “Quando saímos, deixam nossa casa arrombada, roubam o pouco que temos, até as telhas e cobertas desaparecem. Só nos resta confiar em Deus e esperar por ajuda”, lamenta.

A Enchente e a Fartura para os Pescadores
Se para muitos a enchente representa sofrimento, para outros é sinônimo de fartura. O pescador José Lisandro de Oliveira conta que esse é um período de boas pescas. “Para quem vive da pesca, essa é uma época boa. A gente sabe que muitas pessoas sofrem, mas para nós, essa água traz sustento”, afirma.
Ele também lembra que o período do defeso está chegando ao fim. “A partir do dia 15, o defeso termina, e a pesca volta a ser liberada. Com isso, esperamos que a fartura de peixe beneficie também a população”, finaliza.

A Defesa Civil segue acompanhando a evolução do nível do Rio Juruá e reforça o pedido para que os moradores de áreas atingidas fiquem atentos aos alertas e às orientações das autoridades.






