Redação Juruá Online
Os seringueiros, conhecidos como os “soldados da borracha”, que desempenharam um papel importante durante a Segunda Guerra Mundial, podem receber mais um reconhecimento. Um projeto de lei, o PL 5.926/2023, de autoria do senador Confúcio Moura (MDB-RO), propõe o pagamento de um abono natalino, equivalente ao 13º benefício anual, aos sobreviventes desse grupo. O projeto, que aguarda a designação de relator na Comissão de Assuntos Sociais (CAS), busca corrigir uma lacuna histórica na legislação brasileira.
Durante os anos de 1943 a 1945, milhares de brasileiros foram recrutados pelo governo e transportados para a Amazônia com a missão de extrair látex para os Estados Unidos, em um esforço para suprir a demanda por borracha durante o conflito. No entanto, após o término da guerra, muitos dos soldados da borracha foram abandonados na região, enfrentando condições adversas e sem recursos para retornar às suas casas. Muitos morreram com malária ou sofreram às dificuldades da selva, enquanto outros permaneceram na Amazônia, endividados com os donos de seringais.
O senador Confúcio Moura destaca a injustiça enfrentada por esses trabalhadores, que sacrificaram suas vidas e deixaram suas famílias para servir ao país. Ele ressalta que a Campanha da Borracha Brasileira ceifou a vida de mais de 30 mil trabalhadores, um número alarmante quando comparado aos registros de mortes entre os soldados brasileiros que lutaram diretamente na guerra.
É importante destacar que, apesar dos riscos enfrentados e do serviço prestado à nação, os soldados da borracha foram negligenciados pelo Estado, enquanto outros grupos, como os ex-combatentes da Segunda Guerra Mundial, receberam benefícios e reconhecimento. O PL 5.926/2023 busca corrigir essa injustiça, proporcionando aos sobreviventes um abono natalino como forma de reconhecimento por seu serviço e sacrifício.
Um dos argumentos centrais para a aprovação do projeto é o impacto orçamentário considerado “inexpressivo” pelo autor da proposição. Com um custo estimado de menos de R$ 1,5 milhão por ano, o abono natalino para os soldados da borracha não representaria um ônus significativo para o Estado, especialmente considerando a avançada idade dos beneficiários, sendo o mais jovem deles com 85 anos.
Com informações do Senado Notícias





