Juruá realiza II Fórum Municipal em alusão ao Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes

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Redação Juruá Online

Com o tema “Faça Bonito. Proteja nossas crianças e adolescentes”, a região do Vale do Juruá recebeu uma série de programações para este dia 18 de maio, destinado nacionalmente como o Dia de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual contra Crianças e Adolescentes.

Essa data foi instituída em 2000 pelo Projeto de Lei 9970/00. A escolha se deve ao assassinato de Araceli, uma menina de oito anos que foi drogada, estuprada e morta por jovens de classe média alta, no dia 18 de maio de 1973, em Vitória (ES). Esse crime, apesar de sua natureza hedionda, até hoje permanece impune.

Em Cruzeiro do Sul, o evento, que teve início às 8h, teve 2 horas de duração e contou também com uma diversidade de apresentações artísticas e a presença de autoridades do município, como o vice-prefeito de Cruzeiro do Sul e o representante do Juiz da Infância e Juventude.

O fórum debateu questões sobre formas de prevenção dessas situações e como identificar crianças, mostrando o compromisso do Fórum com a campanha. Para se ter uma ideia, em 2021, cerca de 80 atendimentos foram registrados; em 2022, cerca de 67; e, em 2021, até março, foram registrados 8 atendimentos. Apesar do número ter diminuído, a região ainda apresenta registros preocupantes.

Segundo a psicóloga Cintia Sampaio, é possível identificar quando uma criança ou adolescente está sofrendo abuso quando ela passa a demonstrar, por exemplo, baixo rendimento escolar, tristeza e desânimo, isolamento, entre outros. “Então, os responsáveis precisam observar essas características de alteração no comportamento emocional. Às vezes, a criança é feliz, mas começa a ficar triste ou agitada e agressiva”, explica a psicóloga. Esses comportamentos não significam obrigatoriamente abusos sexuais, mas também podem ser bullying na escola ou outra situação que esteja afetando o emocional da criança ou adolescente.

“As famílias precisam buscar ajuda, não negligenciar e achar que a criança vai melhorar sozinha. Muitas vezes, é necessário um psicólogo ou orientador para dar apoio. Os professores e os próprios colegas também podem perceber esses sintomas”, ressalta Cintia.

Infelizmente, a maioria dos registros de abusadores são pessoas da própria família.

A secretária municipal de assistência social, Deucimar Leite, disse que o objetivo é potencializar ainda mais esse trabalho. “Este dia serve para pedirmos à população que denuncie esses casos”, disse a secretária.

O responsável pela Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher e à Criança explicou que o maior acesso à informação traz uma sensação de aumento no número de casos. Isso ocorre porque casos que antigamente não eram levados à delegacia de polícia agora são denunciados. O delegado também destacou a importância de divulgar informações sérias, confiáveis e completas para uma melhor resolução das denúncias.

Algumas instituições para denúncias são: CREAS, Conselho Tutelar e Delegacia.

Esse tipo de violência pode gerar diversas questões para a criança ou adolescente que sofreu. Isso ocorre porque, quando a violência é praticada por algum parente ou conhecido da vítima – a forma mais comum desse tipo de violência -, a visão de segurança, confiança e proteção que ela possui é abalada e pode ser reproduzida na vida adulta.

Ansiedade, depressão, síndrome do pânico, comportamentos autodestrutivos ou sexualização precoce são alguns dos transtornos que podem surgir em adolescentes vítimas de abuso. O transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), por exemplo, que causa sofrimento intenso e afeta várias áreas da rotina, como relacionamentos e trabalho, é desenvolvido por cerca de 57% dessas vítimas.

Na região do Juruá, a maioria dos casos é registrada na área urbana. É importante considerar as dificuldades que a população da área rural enfrenta para fazer denúncias.

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