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Estudo mapeia como Sars-CoV-2 afeta outros órgãos além do pulmão

Logo que começou a atender pacientes graves de Covid-19 no Centro Médico Irving da Universidade Columbia, em Nova York, a cardiologista Aakriti Gupta percebeu que a doença é muito mais do que uma enfermidade respiratória. “Observei que os pacientes estavam apresentando muitos coágulos, altos índices de açúcar no sangue mesmo não tendo diabetes, e muitos tinham danos no coração e nos rins”, relata Gupta, em comunicado à imprensa.

Para entender esses possíveis outros efeitos da infecção pelo Sars-CoV-2, a médica se uniu a pesquisadores de outras instituições acadêmicas e de saúde dos Estados Unidos para analisar estudos já publicados, além das observações já feitas por especialistas em seus atendimentos.

O resultado é uma pesquisa, publicada nesta sexta-feira (10) na revista Nature Medicine, considerada a revisão mais completa sobre os efeitos extrapulmonares da Covid-19. “Medicos precisam pensar na Covid-19 como uma doença multissistêmica”, ressalta Gupta.

A seguir, confira os principais achados do estudo:

Coágulos sanguíneos

Cientistas especulam que o maior número de trombose em pacientes infectados pelo novo coronavírus se deva ao fato de que o vírus ataca células presentes nos vasos sanguíneos. A resposta do organismo para isso é a inflamação, que leva à formação de coágulos, grandes e pequenos.

O risco é que eles podem se desprender do vaso onde se formaram e viajar pelo corpo até pararem em um órgão, o que pode causar complicações sérias e até a morte. Médicos de Columbia já estão conduzindo testes clínicos randomizados para investigar a dose e o momento ideal de aplicar medicamentos anticoagulantes em pacientes com Covid-19.

 Inflamação

Outro efeito perigoso do Sars-CoV-2 é uma superestimulação do sistema imunológico, que pode levar a uma inflamação descontrolada — e letal — no organismo. Até agora, a droga que se mostrou mais eficaz para conter essa reação é o corticoide dexametasona. 

“Cientistas no mundo todo estão trabalhando em um ritmo sem precedentes para entender como o vírus se apropria dos mecanismos biológicos protetores [do organismo]”, diz o hematologista Kartik Sehgal, da Faculdade de Medicina da Universidade Harvard, que também participou do estudo.

Coração
Não é só por meio da formação de coágulos que o novo coronavírus ameaça o órgão que bombeia sangue para o corpo: ele também causa danos por si só no coração, mas os mecanismos pelos quais isso acontece ainda não são conhecidos, de acordo com Aakriti Gupta.
A principal hipótese é de que o músculo cardíaco sofre danos pela inflamação sistêmica e pela liberação de citocinas, células imunológicas cuja função é eliminar células infectadas e que, em excesso, são prejudiciais — e é justamente o que se observa em casos graves de Covid-19.

Insuficiência renal
Os rins também podem ser acometidos pelo novo coronavírus. Nesse caso, os especialistas suspeitam que o motivo seja porque esses órgãos concentram uma alta quantidade da enzima ACE2, cujo receptor o Sars-CoV-2 utiliza para infectar as células. “Entre 5% e 10% dos pacientes precisaram de diálise. Esse número é muito alto”, destaca Gupta.

Embora ainda não seja possível dizer se esses efeitos são de longo prazo, os autores suspeitam que, sim, muitas pessoas curadas da Covid-19 vão precisar seguir fazendo procedimentos que ajudem no funcionamento renal. “Estudos futuros que acompanhem pacientes que tiveram complicações durante a hospitalização por Covid-19 serão cruciais”, observa o cardiologista Mahesh Madhavan, também da Universidade Columbia.

Dor de cabeça, tontura, fadiga e perda de olfato podem afetar um terço dos pacientes. Já derrames, por exemplo, atingem até 6% dos infectados; e confusão mental (também chamada de delirium) acontece entre 8% e 9% dos casos, segundo os autores da pesquisa. “Pacientes podem ficar intubados por duas a três semanas; e um quarto demanda ventilação por 30 dias ou mais”, pontua Gupta.

Para Madhavan, o novo coronavírus é realmente incomum e “é difícil não dar um passo atrás e se impressionar pelo número de manifestações que ele tem no corpo humano”, confessa o especialista.

 

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