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Polícia

Em dia de greve geral, manifestantes e forças de segurança voltam a se enfrentar em Barcelona

Marchas vindas de várias regiões da Catalunha se encontraram na cidade. Polícia diz que 525 mil pessoas participam de manifestação a favor da independência.

 

Manifestantes a favor da independência da Catalunha e forças de segurança entraram em confronto em Barcelona nesta sexta-feira (18). Agências de notícia mostraram, no início desta tarde (já de noite, no horário da Espanha), imagens de confrontos entre independentistas e as forças de segurança. Os manifestantes lançaram garrafas e pedras, e os policiais respondiam com bombas de gás lacrimogêneo na região central da cidade.

Segundo a polícia catalã, cerca de 525 mil manifestantes participaram dos protestos desta sexta, que se mobilizaram após a condenação a prisão dos líderes do movimento de independência fracassado de 2017. A região amanheceu com uma greve geral e rodovias bloqueadas.

Organizadores afirmam que o ato desta sexta-feira será o ápice de sua mobilização contra a condenação de seus líderes pela Justiça espanhola. Desde o início da onda de violência, na segunda-feira (14), mais de 110 pessoas foram presas, e 200 policiais ficaram feridos, de acordo com a polícia e o Ministério do Interior.

As marchas partiram de cinco pontos da Catalunha com bandeiras e faixas independentistas. Entre elas, estão manifestantes que caminharam de Vic e Berga até a capital catalã – são distâncias de 70 quilômetros e 100 quilômetros, respectivamente.

Dados do Sistema de Emergência Médica da região indicam que houve 26 feridos na mobilização desta sexta, 19 deles em Barcelona.

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Barcelona tem intenso confronto entre policiais e manifestantes

Os independentistas catalães bloquearam a fronteira com a França. Os manifestantes impediram o acesso à rodovia AP7 na altura de La Jonquera, perto de Girona, e a estrada nacional NII perto do país vizinho, informou o ministério dos Transportes.

A paralisação foi convocada pelos principais sindicatos por motivos ligados a questões trabalhistas e econômicas, mas na verdade também está vinculada à sentença da Suprema Corte da Espanha.

Em Barcelona, onde milhares de estudantes estão mobilizados, são claros os efeitos da greve, a quarta nos últimos dois anos. A Basílica da Sagrada Família fechou suas portas, a Ópera do Liceu cancelou sua programação, e a maioria dos estandes do mercado Boqueria, muito famoso entre os turistas, permaneceram fechados.

As autoridades determinaram o funcionamento de 50% dos transportes públicos, como metrô, ônibus e trens nos horários de pico. Durante o resto do dia, os trens estão operando com 33% da sua capacidade. O serviço de ônibus que leva passageiros para o aeroporto está com metade da sua capacidade em operação.

No aeroporto, 57 voos foram cancelados, segundo a Aena, que é a operadora aeroportuária espanhola.

Varredura no centro de Barcelona
A polícia encontrou um cilindro de gás manipulado que tinha sido abandonado na Ronda de Sant Pere, no centro de Barcelona. Nesta região, na noite de quinta-feira (17), os independentistas voltaram a entrar em confronto com a polícia. Eles colocaram fogo em barricadas e usaram coquetéis molotov e a polícia usou bala de borracha para dispersá-los.

Clássico Barcelona-Real Madrid adiado
Por causa da tensão na Catalunha, o clássico Barcelona-Real Madrid, da 10ª rodada do campeonato espanhol, programado para o dia 26 de outubro na capital catalã, foi adiado para uma data que ainda será definida pelos clubes

O comitê de competição, órgão disciplinar da Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF), concordou com o "adiamento do jogo previsto para o dia 26 de outubro de 2019 devido a causas excepcionais", afirma a decisão anunciada nesta sexta-feira.

Pena de prisão e início dos protestos
Na segunda (14), a Suprema Corte da Espanha condenou nove líderes da tentativa frustrada de independência da Catalunha a penas de prisão que vão de 9 a 13 anos por sedição (uma forma mais branda de rebelião contra autoridade). Outros três réus foram absolvidos da acusação de malversação de dinheiro público e não foram condenados à prisão.

Lideranças do movimento pró-independência da Catalunha, que tem 7,5 milhões de habitantes, convocaram manifestantes e foram prontamente atendidas. Confrontos com policiais deixaram 131 feridos. A maior parte deles, 115, estavam no aeroporto El Prat, onde um manifestante perdeu o olho e um outro, parte dos testículos.

Protestos bloqueiam estradas e ruas em Barcelona

Na terça-feira, os protestos continuaram principalmente nas cidades de Barcelona, Tarragona, Lleida e Girona. O Ministério do Interior informou que 51 pessoas tinham sido detidas até a madrugada de quarta-feira. Além disso, 54 policiais regionais e 18 policiais nacionais ficaram feridos.

Na quinta-feira (17), o presidente regional da Catalunha, Quim Torra, sugeriu uma nova votação sobre a independência da sua região ainda durante seu mandato, que termina no início de 2022. Um referendo organizado em 2017 sem autorização da justiça espanhola, que decidiu pela declaração de independência da Catalunha, motivou a sentença da Suprema Corte da Espanha de segunda-feira.

Nas ruas de Barcelona, como no resto da região, a questão da independência divide. Segundo a última pesquisa publicada em julho pelo governo regional, 44% da população é a favor da independência, enquanto 48,3% é contra.

 

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