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    Cotidiano

    Estudante de Curitiba desenvolve projeto de absorvente sustentável para moradoras de rua e ganha prêmio internacional de design

    'Uma das coisas que mais me motivou foi dar visibilidade ao tema do projeto', afirmou Rafaella de Bona Gonçalves. Jovem vai apresentar o projeto para o prefeito.

     

    Com o projeto de um absorvente interno sustentável para mulheres em situação de rua, a universitária curitibana Rafaella de Bona Gonçalves conquistou uma das mais importantes premiações internacionais de design. A ideia é produzir o absorvente a partir de fibra de banana.

    "É o melhor prêmio de design que existe. Uma das coisas que mais me motivou foi dar visibilidade ao tema do projeto. Só as pessoas pararem para pensar sobre o assunto já é muito bom. É gratificante", afirmou.
    O projeto de Rafaella foi o único brasileiro que recebeu o prêmio alemão "iF Design Talent Award", na edição deste ano, de acordo com o Centro Brasil Design, que é o escritório de representação no Brasil.

    Rafaella tem 22 anos é aluna do 3º ano de design de produto da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Em paralelo, decidiu fazer um curso de especialização em design voltado para soluções de impacto para o futuro.

    O "Maria – absorvente íntimo" foi o trabalho de conclusão do curso, apresentado em julho. O objetivo era pensar em projetos para acabar com a pobreza.

    "Queria trabalhar localmente. Comecei a procurar esse problema em Curitiba. Cheguei aos moradores de rua e, então, cheguei às mulheres em situação de rua. Tem problemas que só cabem a elas", contou Rafaella.

    'Maria – absorvente íntimo'
    O projeto, desenvolvido em quatro meses pela estudante, é um absorvente interno que se adapta às condições das moradoras de rua. Rafaella o define como "prático, higiênico e universal".

    Ele será produzido com fibra de banana, que é um material biodegradável. O propósito de Rafaella é que o absorvente seja distribuído pelo governo.

    Inclusive, a estudante tem reunião marcada com o prefeito de Curitiba, Rafael Greca (PMN), para apresentar o projeto ainda em outubro.

    Rafaella fez uma pesquisa e encontrou uma empresa que faz absorvente com fibra de banana na Índia. "Lá, a pobreza menstrual é um problema grande, por questões financeiras, culturais e religiosas", disse.

    O absorvente projetado por Rafaella é um rolo. Para usá-lo, a mulher retira um pedaço do rolo de acordo com o fluxo e a necessidade.

    Então, desdobra-se a aba que, após o uso, vai auxiliar a retirar o absorvente. Depois de desdobrar a aba, o pedaço do rolo é enrolado e fica pronto para ser usado.

    "Com um rolo, pode fazer absorvente para três ciclos de sete dias", afirmou.

    Por enquanto, o "Maria – absorvente íntimo" é um projeto. Rafaella ainda não tem previsão de quando o protótipo ficará pronto, nem uma expectativa de quanto seria o custo de um rolo. "Ainda não tenho ideia, dependeria da escala que o produto atingisse", explicou.

    Rafaella já fez testes do formato do absorvente, mas usando outro tipo de material, um tecido, para verificar a eficácia do produto. Ela acredita no êxito do projeto porque, além do teste com o formato ter sido positivo, a fibra de banana já é usada para a funcionalidade proposta pela jovem.

    O prêmio
    O prêmio alemão "iF Design Talent Award" teve 192 projetos inscritos em 2019, segundo o Centro Brasil Design.

    Ao todo, 91 projetos foram premiados. Dos 13 projetos brasileiros inscritos, o da Rafella foi o único premiado.

    A universitária concorreu na categoria estudante, que tinha como tema um dos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU). Todos os anos, o iF Design Talent Award tem temas específicos.

    O tema escolhido por Rafaella é o primeiro da lista dos 17 ODS: "acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares".

    "Na categoria estudante, foram cerca de quatro mil projetos inscritos. Cinquenta e dois foram selecionados, e eu era a única brasileira" contou.

    Rafaella ficou sabendo no dia 20 de setembro que levou o prêmio: "Não caiu a ficha, parecia surreal".

    A população de rua
    Conforme a última estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBFGE), que é de 2017, Curitiba tem 1.908.359 habitantes.

    Dentro desse universo de quase dois milhões, 2.364 pessoas vivem em situação de rua, conforme a Fundação de Ação Social (FAS). Deste total, 2.154 são homens e 210 são mulheres.

    A FAS compra, mensalmente, 1.856 absorventes para as unidades que atendem mulheres em situação de vulnerabilidade. Para as unidades que fazem atendimento a mulheres de rua, são entregues 736 absorventes por mês.

    A coordenadora da Casa de Passagem para Mulheres e LBT, Camila Wenderico, explicou que a higienização é oferecida para as mulheres e transexuais atendidos ali.

    Os portões das casas de passagem – são duas na cidade, uma no Rebouças e outra no Bairro Novo – ficam abertos das 19h às 20h. Nesse horário, as pessoas chegam para passar a noite e ficam até as 8h do dia seguinte.

    "É ofertado todo o processo de higienização, além de alimentação, lazer e cama quentinha", explicou Camila.

    Entre os itens que são distribuídos para a higiene, estão shampoo, condicionador, sabonete, toalha, escova e pasta de dente, lâmina para depilação e absorventes.

    "Acho importante todo trabalho em que a gente consiga unir população de rua com processos que ambientalmente garantam a sustentabilidade da cidade", afirmou Camila.
    Camila disse que, hoje, as mulheres em situação de rua de Curitiba têm todo o suporte necessário. Contudo, ressaltou que ideias que voltem os olhares para essa população são bem-vindas.

    "Soluções mais práticas para que essas mulheres tenham cada vez possibilidades mais fáceis. Já é tudo tão difícil para elas", disse.

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