Juruá Online

RITA ANDRADE

Eleições x Pessoas com deficiência

 

O ano eleitoral é uma completa euforia. De um lado, os candidatos arquitetam suas propostas e do outro, existe o povo alvoroçado para digitar os números da democracia nas milhares de urnas eletrônicas, que ganham espaço em todo o país. Nesse processo democrático, ninguém quer deixar a sua vez e voz passarem. As pessoas com deficiência, no entanto, não são diferentes, porém, para que esse público possa, de fato, exercer a sua vontade através do voto as coisas são bem mais complexas e muitas das vezes, frustrantes.
Hoje, apesar de já termos evoluído bastante nas nossas ferramentas de inclusão e acessibilidade infelizmente ainda há grandes falhas na hora da votação. Eu não tive nenhum problema, mas, em compensação, outros PCDs (pessoas com deficiência) obtiveram. Dentre tantos relatos indignados que li e ouvi eu me aprofundei no do seu João Maia. O seu João é fotógrafo profissional e palestrante. Ele tem 46 anos, é piauiense e após os seus 28 anos de idade adquiriu uma Uveíte bilateral (uma inflamação de alto nível que destrói todo o olho). No caso dele, houve um descolamento de retina no olho direito (esse é zerado) e no olho esquerdo, uma lesão no nervo óptico. Então, ele convive com uma baixa visão extremamente baixíssima que o possibilita percepções de vultos coloridos e desfocados.
O fotógrafo que mora em São Paulo, me relatou que nos anos anteriores, na sua seção já tinha um sistema de voz (vozes gravadas), mas a urna eletrônica que era destinada para ele não disponibilizava os fones de ouvidos. Então, algumas vezes os mesários conseguiram os fones na hora e outras vezes, ele utilizou os próprios. Esse ano, entretanto, os fones estavam lá! Porém, ele não conseguiu votar utilizando a resposta do sintetizador de voz (nova tecnologia que transforma texto em som) e isso o levou há alguns questionamentos, como: “Será que a urna estava com defeito? Será que os mesários não sabiam acioná-la?”
Assim, tendo direito somente ao sistema de Braille, seu João ressaltou toda a sua frustração: “Não é possível! A gente lutou tanto para conquistar um sintetizador de voz em uma urna eletrônica para não conseguirmos fazer uso no dia.”
Seu Maia registrou sua reclamação no e-mail do Tribunal de Justiça – está mais do que certo, porque ele solicitou o atendimento para as suas necessidades especiais meses atrás como pede a Justiça Eleitoral. Ah! Falando nisso, os eleitores com deficiência das mais variadas especificidades devem solicitar isso para que as suas seções eleitorais possam ser preparadas. Agora, se solicitarem e não forem atendidos façam como o fotógrafo com baixa visão que mora em São Paulo: coloquem a boca no trombone, reivindique os seus direitos mesmo!
No mais, outro gancho que aproveito para puxar é em relação às nossas candidaturas. Esse ano, em todo o Brasil teve 1%, apenas 1% de candidatos com deficiência. Que baixa representatividade é essa, gente!? Cadê a nossa força? Cadê o nosso engajamento nas políticas públicas do nosso país? Cadê os milhões de nós?
Reflitam essas questões. Mas não fiquem apenas na reflexão. Vá além! Se engaje mais. Se interesse mais pelas políticas públicas. Se candidatem! Só assim, só tendo vários de nós ocupando os cargos políticos é que podemos multiplicar mil vezes mais as ações que fazem o mundo ser mais acessível e, consequentemente, inclusivo. Mas, enquanto esperamos as próximas eleições cobrem, exijam dos candidatos que foram eleitos agora, porque, afinal de contas, foi para atender o povo que ganharam, não é!?

 

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