Juruá Online

RITA ANDRADE

Mais do que equação matemática

Nesse tempo muito difícil, de total incerteza, mas que também o usamos para nos tornarmos seres mais evoluídos, eu venho medir essa evolução dissertando sobre algo que, infelizmente ainda é rodeado de olhares tortos e preconceituosos. E esse algo se reveste nos relacionamentos amorosos na vida das pessoas com deficiência, os quais acima de todo o tabu e desinformação são bem mais do que qualquer equação matemática.

 Todavia, por mais que estejamos chegando a uma data célebre – o Dia dos Namorados, descomplicar o tal assunto nas nossas jornadas e alcançar um resultado satisfatório não é tarefa simples. Temos que desmontar várias barreiras e dentre elas, as mais resistentes são: o preconceito, a superproteção (vinda, principalmente, da família), a ideia de infantilidade (aquele pensamento de que a pessoa com deficiência sempre vai ser uma criancinha) e o valor exacerbado no mundo visual (a importância dada mais para aparência física do que para a essência do ser humano). Toda essa conjuntura, no entanto, acaba estreitando ainda mais a estrada em que aprendemos a se portar dentro de um relacionamento amoroso.

Contudo, quase sempre a sociedade tem consigo que o amor, o cuidado da família e amigos já são o suficiente no dia a dia das pessoas com deficiência e isso não é verdade. Para a gente, a teoria de tudo não gira apenas em torno disso e, assim como todo o mundo, temos também a fundamental necessidade de ingressar em um namoro, viver um casamento, construir uma família. Um exemplo claro e evidente do quanto essas experiências nos fazem bem é o filme “A Teoria de Tudo”. Através de uma parte da história de Stephen Hawking – um brilhante astrofísico que, no decorrer de sua vida adquiriu uma esclerose lateral amiotrófica – uma doença que provoca uma paralisia gradual e perda de capacidades cruciais, como falar, movimentar, engolir e até mesmo respirar, podemos perceber o quão o amor incondicional e todo o carinho de sua esposa foram determinantes para Hawking desmentir a afirmação de que a sua expectativa de vida não passaria de 24 meses, além disso, lhe deu plenas condições de ser um marido, um pai e continuar sendo um excelente profissional POR MUITOS ANOS.

Hoje eu estou solteira (espero que não por muito tempo, né Deus? Rs), mas já tive alguns relacionamentos que foram realmente bons. Fizeram-me evoluir em muitas coisas, inclusive a ser uma mulher bem decidida na hora de determinar quem namora comigo ou não. Acho que quando há amor para superar as adversidades e mais um pouco. Quando o namoro é saudável em todos os aspectos, principalmente, nos divinos. E quando ambos se respeitam e valorizam um ao outro do jeito que é vale muito a pena. Portanto, é extremamente importante que a população, nossos amigos e família nos ajudem a quebrar mais esse paradigma para que, consequentemente, a gente possa alargar a cada dia esse caminho tão evolutivo e agradável.

Ritinha Andrade

 

 sicredi2.png

© Copyright 2015 - Empresa Cruzeirense de Telecomunicações de Rádio e TV LTDA