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Bebê de grávida com Covid-19 que morreu durante parto de emergência morre em Rio Branco

O recém-nascido Ravi de Paiva Silva, filho da agente comunitária de saúde Simonete Ribeiro de Paiva, de 40 anos, que morreu com Covid-19 após um parto de emergência na noite de quarta-feira (20), também morreu no início da tarde desta sexta-feira (22). Ele estava internado na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal da Maternidade Bárbara Heliodora, em Rio Branco.

Simonete estava no Instituto de Traumatologia e Ortopedia do Acre (Into-AC) internada com Covid-19. Ela estava no sexto mês de gestação do terceiro filho, teve complicações devido à doença e precisou ser submetida a uma cirurgia para a retirada da criança.

O pai do recém-nascido, o agricultor Roberto dos Santos Silva, de 40 anos, disse que o bebê morreu devido aos efeitos da medicação tomada pela mãe no tratamento da doença.

"O médico disse que ele teve hemorragia por causa dos remédios que a mãe dele estava tomando [no tratamento da Covid-19]. Ele teve cinco paradas cardíacas agora pela manhã. Já tinha tido outra, mas eles conseguiram reanimar. Mas, na última não conseguiram mais", contou.

Viúvo, e sem o filho mais novo, Silva diz que vai ser difícil seguir em frente, mas vai lutar para reconstruir a vida e cuidar dos outros dois filhos.

 

"O futuro só a Deus pertence e nem posso fazer planos agora, porque não está sendo fácil. Mas, tenho que seguir em frente porque essa foi a vontade de Deus. Estou sofrendo? Estou sofrendo, mas creio que foi a vontade dEle", acrescentou.

O pai disse que ainda não sabe se Ravi vai ser enterrado ainda nesta sexta. Ele afirmou que está fazendo os trâmites para liberar o corpo que vai ser levado para Plácido de Castro, onde a mulher dele também foi enterrada. O exame de Covid do bebê ainda não tinha saído, segundo informou.

Morte da mãe

Simonete era servidora da saúde da cidade de Plácido de Castro. Ela trabalhava como agente comunitária há mais de dez anos. Após a morte da servidora, o Sindicato dos Trabalhadores em Saúde do Acre (Sintesac), a Prefeitura e a Secretaria de Saúde de Plácido de Castro emitiram notas lamentando a morte da mulher.

O marido de Simonete contou que a mulher tinha medo de pegar a coronavírus na gravidez. Há dez dias, a servidora pública começou a apresentar os sintomas da doença, mas não tinha feito exames ainda. No sábado (16), Simonete, que morava na zona rural de Plácido de Castro, começou a passar mal e veio para a maternidade de Rio Branco.

Uma médica fez um raio-X e mandou internar a mulher. Ao trocar de plantão, o outro médico medicou Simonete e deu alta para ela, que voltou para casa novamente.

"No domingo [17], passou mal de novo. Na segunda, levei ela para o hospital de Plácido de Castro, levaram ela para a maternidade de novo e de lá foi para o Into na terça [19]. Ela chegou no Into, ficou no leito, não foi entubada e ficou muito apreensiva, ficou desesperada e me falaram que tirou a máscara de oxigênio e a saturação dela caiu e não conseguiram mais reverter o quadro", relembrou.

 

Último pedido

Na quarta (20), o quadro de saúde Simonete continuou ruim e, no início da noite, a equipe fez a cirurgia de emergência para a retirada do bebê. Roberto Silva falou que a mulher tinha medo de se contaminar com a doença durante a gravidez. Ele disse que não sabe como a agente se infectou, mas que outros parentes dela, como o irmão, também pegaram a doença e estão internados.

"Por causa do histórico dela de DPCO, ela tinha medo, não queria ir para o Into de jeito nenhum. Na última vez que me ligou pediu para eu cuidar dos meninos e aí pegaram o telefone dela. No outro dia já morreu, não tinha contato mais com ela. Estávamos nos preparando para comprar o enxoval mês que vem, temos só algumas coisas que as pessoas deram", lamentou.

 

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