Polícia invade sede do principal partido de oposição da Turquia e usa gás lacrimogêneo

spot_img

A polícia turca invadiu neste domingo (24) a sede do Partido Republicano do Povo (CHP), principal legenda de oposição da Turquia, em Ancara, utilizando gás lacrimogêneo e balas de borracha contra apoiadores e membros do partido que estavam no local.

A ação encerrou horas de tensão envolvendo dirigentes e simpatizantes do CHP e uma nova liderança nomeada judicialmente para assumir o comando da sigla.

Imagens divulgadas pela imprensa local mostram nuvens de gás lacrimogêneo e policiais de choque entrando no prédio do partido em meio a confrontos e correria. Em alguns momentos, apoiadores chegaram a utilizar extintores de incêndio durante os embates com a polícia.

A crise política se intensificou após uma decisão judicial emitida na quinta-feira (21), quando um tribunal anulou a eleição de Özgür Özel como presidente do CHP, cargo assumido por ele em novembro de 2023.

Com a decisão, o ex-líder Kemal Kilicdaroglu, que comandou o partido por 13 anos, deveria reassumir a presidência da legenda. Kilicdaroglu, apesar do longo período à frente do CHP, nunca venceu uma eleição nacional contra o presidente Recep Tayyip Erdogan.

Özgür Özel, por outro lado, liderou o partido na histórica vitória da oposição nas eleições municipais de 2024, impondo uma das maiores derrotas políticas ao partido governista Justiça e Desenvolvimento (AKP), de Erdogan.

Oposição denuncia perseguição política

Dirigentes do CHP afirmam que a decisão judicial possui motivação política e acusam o governo de tentar enfraquecer a oposição antes das próximas eleições presidenciais, previstas para 2028.

O cenário político turco já vinha tensionado desde a prisão do prefeito de Istambul, Ekrem İmamoğlu, considerado principal rival de Erdogan. Filiado ao CHP, İmamoğlu está detido desde março do ano passado e responde a acusações de corrupção.

Analistas políticos e observadores internacionais apontam que os processos judiciais envolvendo integrantes da oposição podem fazer parte de uma estratégia para neutralizar adversários políticos antes do próximo ciclo eleitoral.

O governo turco, no entanto, nega interferência e afirma que o Judiciário atua de forma independente.

spot_img

Notícias relacionadas:

ÚLTIMAS NOTÍCIAS